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sábado, 10 de janeiro de 2009

João Guimarães Rosa



" Ser Mineiro é dizer UAI,

é ser diferente e ter marca registrada,

é ter história. "









(...) “Então explico. Nada quase corre simples, nesses casos, depois tremeiam- se lembranças e contra lembranças; e há que, se o destino quer e faz, aplica luxo de lances, ataca por linhas simultâneas - disto sei recheados exemplos. O que ele grava nas "Memórias", certo a certo, deu-se. Mas houve mais, confluência ...
"É de que Estado?" - "Minas." - "Fico com ele!"
"Visitando muitas vezes Minas, aí por volta de 1929 e 1930, e falando ao povo em comícios apaixonados, nunca deixei de meditar sobre os insondáveis juízos da Providência: eu tinha ido dez anos antes àquela bendita terra buscar um pouco de saúde. " Prezava não tão-só "a doçura daqueles ares de montanha"; mas própria a gente: - "Vocês, mineiros, são diferentes de todo- o- mundo..." – repetia; apreciava mesmo "as tragédias mudas da política mineira." Assaz confalasse o mote de COELHO NETO: "A terra venerável de Minas, terra de abundância e de hospitalidade, fértil e amável como o doce e generoso país quenanita... " E, pois, dela nunca poderia ser dito duvidador ou menos amigo."




“...às vezes quase acredito que eu mesmo, João, sou um conto contado por mim mesmo. É tão imperativo...".





E, traduzida tamanha euforia por Minas, gente e sentimento, é que se dá Guimarães Rosa, ele achava que estudar o espírito e o mecanismo de outras línguas ajudava muito à compreensão mais profunda do idioma nacional, por isso falava português, alemão, francês, inglês, espanhol, italiano, esperanto, um pouco de russo; lia: sueco, holandês, latim e grego (mas com o dicionário agarrado); entendendo alguns dialetos alemães; estudou a gramática: do húngaro, do árabe, do sânscrito, do lituano, do polonês, do tupi, do hebraico, do japonês, do checo, do finlandês, do dinamarquês; bisbilhotou um pouco a respeito de outras. Mas tudo mal. - "Principalmente, porém, estudando-se por divertimento, gosto e distração." J.G.R.


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E assim, mineira, vou me rendendo a beleza daqui deste lugar, e das palavras muito bem escritas e ilustradas através das lembranças dele, reluzindo as minhas.


Preta Lopes
01/ 2009