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domingo, 30 de novembro de 2008

Ler devia ser proibido! (Se é que você me entende)



"Afinal de contas, ler faz muito mal às pessoas: acorda os homens para realidades impossíveis, tornando-os incapazes de suportar o mundo insosso e ordinário em que vivem. A leitura induz à loucura, desloca o homem do humilde lugar que lhe fora destinado no corpo social. Não me deixam mentir os exemplos de Dom Quixote e Madame Bovary. O primeiro, coitado, de tanto ler aventuras de cavalheiros que jamais existiram meteu-se pelo mundo afora, a crer-se capaz de reformar o mundo, quilha de ossos que mal sustinha a si e ao pobre Rocinante. Quanto à pobre Emma Bovary, tomou-se esposa inútil para fofocas e bordados, perdendo-se em delírios sobre bailes e amores cortesãos.
Ler realmente não faz bem. A criança que lê pode se tornar um adulto perigoso, inconformado com os problemas do mundo, induzido a crer que tudo pode ser de outra forma. Afinal de contas, a leitura desenvolve um poder incontrolável. Liberta o homem excessivamente. Sem a leitura, ele morreria feliz, ignorante dos grilhões que o encerram. Sem a leitura, ainda, estaria mais afeito à realidade quotidiana, se dedicaria ao trabalho com afinco, sem procurar enriquecê-la com cabriolas da imaginação.
Sem ler, o homem jamais saberia a extensão do prazer. Não experimentaria nunca o sumo Bem de Aristóteles: o conhecer. Mas para que conhecer se, na maior parte dos casos, o que necessita é apenas executar ordens? Se o que deve, enfim, é fazer o que dele esperam e nada mais?
Ler pode provocar o inesperado. Pode fazer com que o homem crie atalhos para caminhos que devem, necessariamente, ser longos. Ler pode gerar a invenção. Pode estimular a imaginação de forma a levar o ser humano além do que lhe é devido.
Além disso, os livros estimulam o sonho, a imaginação, a fantasia. Nos transportam a paraísos misteriosos, nos fazem enxergar unicórnios azuis e palácios de cristal. Nos fazem acreditar que a vida é mais do que um punhado de pó em movimento. Que há algo a descobrir. Há horizontes para além das montanhas, há estrelas por trás das nuvens. Estrelas jamais percebidas. É preciso desconfiar desse pendor para o absurdo que nos impede de aceitar nossas realidades cruas.
Não, não dêem mais livros às escolas. Pais, não leiam para os seus filhos, pode levá-los a desenvolver esse gosto pela aventura e pela descoberta que fez do homem um animal diferente. Antes estivesse ainda a passear de quatro patas, sem noção de progresso e civilização, mas tampouco sem conhecer guerras, destruição, violência. Professores, não contem histórias, pode estimular uma curiosidade indesejável em seres que a vida destinou para a repetição e para o trabalho duro.
Ler pode ser um problema, pode gerar seres humanos conscientes demais dos seus direitos políticos em um mundo administrado, onde ser livre não passa de uma ficção sem nenhuma verosimilhança. Seria impossível controlar e organizar a sociedade se todos os seres humanos soubessem o que desejam. Se todos se pusessem a articular bem suas demandas, a fincar sua posição no mundo, a fazer dos discursos os instrumentos de conquista de sua liberdade.
O mundo já vai por um bom caminho. Cada vez mais as pessoas lêem por razões utilitárias: para compreender formulários, contratos, bulas de remédio, projetos, manuais etc. Observem as filas, um dos pequenos cancros da civilização contemporânea. Bastaria um livro para que todos se vissem magicamente transportados para outras dimensões, menos incómodas. E esse o tapete mágico, o pó de pirlimpimpim, a máquina do tempo. Para o homem que lê, não há fronteiras, não há cortes, prisões tampouco. O que é mais subversivo do que a leitura?
É preciso compreender que ler para se enriquecer culturalmente ou para se divertir deve ser um privilégio concedido apenas a alguns, jamais àqueles que desenvolvem trabalhos práticos ou manuais. Seja em filas, em metros, ou no silêncio da alcova… Ler deve ser coisa rara, não para qualquer um.
Afinal de contas, a leitura é um poder, e o poder é para poucos.
Para obedecer não é preciso enxergar, o silêncio é a linguagem da submissão. Para executar ordens, a palavra é inútil.
Além disso, a leitura promove a comunicação de dores e alegrias, tantos outros sentimentos… A leitura é obscena. Expõe o íntimo, torna colectivo o individual e público, o secreto, o próprio. A leitura ameaça os indivíduos, porque os faz identificar sua história a outras histórias. Torna-os capazes de compreender e aceitar o mundo do Outro. Sim, a leitura devia ser proibida.
Ler pode tornar o homem perigosamente humano."

Guiomar de Grammon


P.s: Hoje é aniversário de um amigo muito, muito, muito chato! rs
Então quero deixar registrado minhas felicitações a ele, desejando muita
coisa boa, Saúde e Felicidade, sempre! Ah! ... e pra ele acho que uma das
coisas mais importantes 'Todo amor que houver nessa vida!' ahaha
Parabéns Dii !!

O Sonho


A noite, quando ela chegara em casa, após um dia cansativo de trabalho e de estudo, ela passara direto para seu quarto, e ali, diante de uma tela de computador tinha um mundo ao seu alcance, inclusive as pessoas que ela mais gostava, era uma forma de mantê-los mais próximos, talvez porque as pessoas com as quais ela mais se identifica e gosta, ‘TODAS, SEM EXCEÇÃO’, moram longe dela, e ali dentro do seu quarto ao alcance das mãos, ela os tinha mais perto. Ela estava aparentemente bem, apesar do seu fim de semana ter sido triste, de perdas em sua família... foi um tanto turbulento, de sentimentos contraditórios... mas, no entanto, ela sorria, porque estes com quem ela gostava de passar o tempo, seja conversar, sorrir, fazer careta ou seja lá o que for, tinham dedicado algum tempo para ela.
E então, antes de dormir ela contemplava as estrelas e o mesmo céu que ele com certeza olhava naquela mesma hora. Leu seus e-mails, respondeu alguns. Estava cansada. Resolveu ir dormir. Deitou-se. Mas não conseguiu dormir, então, pegou seu celular e remeteu uma mensagem para ele, com o intuito de dizer a ele que, naquele momento ela pensara nele. Logo em seguida, passado alguns minutos ela pegou no sono. Seu celular toca. Era ele!... eles não se falaram. Ela, sorri. Depois adormece.
Amanheceu!
Ela acordou feliz... com um gosto de inspiração. Ela sonhou; a muito tempo ela não sonhara assim, com algo que lhe inspirasse tanto. Sonhou com o mar, montanhas e com um rapaz, cujo o rosto ela não viu, mas sentiu. No sonho, ela sorria muito, trocavam brincadeiras. Ela se recorda que eles conversaram muito e que tudo isso deve ter se passado mais ou menos durante um dia inteiro, estavam assentados na areia da praia, diante do mar e de montanhas, era uma paisagem fantástica, lembra-se que por horas ficara contemplando o que tinha diante dos olhos, junto com ele, cujo o nome e feição ela não se recorda; mas sente, quem seja.
Seria isso uma vontade de estar mais próxima? De diminuir toda uma distância que existe e que ao mesmo tempo está se tornando cada vez menor? (...)
Enfim, o dia todo ela esteve com a cabeça nas nuvens. Borboleteando por aí... Ela quis remeter outras mensagens durante o dia, mas achou melhor não... Entrou na internet para ver se tinha recebido algum e-mail ou mensagem dele. Estranho... só as mensagens do dia anterior e um texto novo na sua página pessoal e por sinal, um texto muito bem escrito... Depois de tê-lo lido, ela ficou perplexa, inerte. Ela estava perdida no emaranhado dos seus pensamentos, se encaixou no texto quando ele disse: “ Ser feliz ou acomodar-se? ” ele mexeu na ferida dela. Ela pensou que depois de ter vivido tantas coisas ruins neste fim de semana, vale mais ser feliz, vale mais, muito mais, com certeza...
Acreditar seria um caminho mais fácil de fazê-la chegar perto da realidade, então, ela está crendo que a felicidade está chegando de mansinho, que é para não assustar, nem ela, nem ele.
Já é de tardezinha. A noite cai.




O sonho
Vanessa Lopes / 2008

sábado, 29 de novembro de 2008

Mineiro por Guimarães Rosa

"Ser Mineiro é não dizer o que faz, nem o que vai fazer.É fingir que não sabe aquilo que sabe, é falar pouco e escutar muito, é passar por bobo e ser inteligente, é vender queijos e possuir bancos.Um bom Mineiro não laça boi com embira, não dá rasteira no vento, não pisa no escuro, não anda no molhado, não estica conversa com estranhos, só acredita na fumaça quando vê fogo, só arrisca quando tem certeza, não troca um pássaro na mão por dois voando. Ser Mineiro é dizer UAI, é ser diferente e ter marca registrada, é ter história. Ser Mineiro é ter simplicidade e pureza, humildade e modéstia, coragem e bravura, fidalguia e elegância.Ser Mineiro é ver o nascer do sol e o brilhar da lua, é ouvir o cantar dos pássaros e o mugir do gado, é sentir o despertar do tempo e o amanhecer da vida.Ser Mineiro é ser religioso, conservador, é cultivar as letras e as artes, é ser poeta e literato, é gostar de política e amar a liberdade, é viver nas montanhas, é ter vida interior. É ser gente"
Guimarães Rosa
Pra começar, tá de bom tamanho!
Guimarães, retrata minha paixão por Minas
e por ele!